Há pouco mais de um ano, a vida de todos nós virou de cabeça para baixo. Incorporamos novos hábitos, como uso de máscara e álcool em gel, e passamos a conviver com uma rotina instável, ditada pela variação da gravidade da pandemia do novo coronavírus. Os impactos são gigantescos em todas as áreas. Na educação, onde o novo normal inclui ensino remoto, poucos alunos em sala ou suspensão das aulas, os efeitos são ruins e duradouros.

O problema é pior no ensino público. A maior parte dos 4,3 milhões de estudantes que entraram na pandemia sem acesso à internet são de escolas públicas. E entre os que têm internet, muitos dividem o único celular da casa com os irmãos para assistir às aulas.

É difícil para os professores também. Em pouco tempo, eles tiveram que se adaptar a uma nova forma de ensinar, sem contato com os alunos, sem as ferramentas adequadas.

Nós, do PDT, lutamos tanto pelo adiamento do Enem. Sabíamos que a desigualdade, que dificulta tanto o acesso de estudantes de baixa renda às universidades, havia se aprofundado ainda mais com a pandemia. E o fosso continua aumentando. Precisamos encontrar solução para este problema tão grave, que pode comprometer o futuro de toda uma geração.

A saída mais definitiva é, sem dúvida, a vacinação dos professores, para que eles possam voltar à sala de aula sem medo. É fundamental que a vacinação de toda a população seja acelerada. PDT e Senado negociam com outros países e com organizações mundiais para doação de vacinas, a fim de aumentar a oferta no país. Aprovamos no Senado, agora em abril, a PEC que suspende a cobrança de impostos sobre a produção, importação, comercialização, transporte e aplicação de vacinas usadas em pandemias. São medidas que ajudam o esforço da vacinação.

Além disso, estados e municípios precisam ter recursos para garantir a infraestrutura necessária nas escolas, para que as aulas sejam retomadas, de acordo com a determinação dos profissionais de saúde, mantendo o distanciamento e com acesso às medidas de higiene, como lavar as mãos e usar álcool em gel. Há recursos do Fundeb e lutamos para que o governo federal não corte recursos de uma área tão estratégica para o Brasil.

Por fim, precisamos ter um plano nacional para recuperação do tempo perdido, com reforço do ensino nos próximos anos. Temos que evitar perdas ainda maiores nos indicadores da educação brasileira.

A educação é o verdadeiro caminho para o desenvolvimento do nosso país e precisamos lembrar disso mesmo em meio à pandemia.

Senador Weverton