A fome dói. E neste momento, quase 15 milhões de brasileiros estão vivendo essa dor, como revelou a pesquisa realizada pelo Poder 360. O levantamento mostrou que 7% dos brasileiros passaram fome ou deixaram de fazer alguma refeição na pandemia do novo coronavírus. Ao todo, cerca de 72 milhões passaram a comer menos por causa da crise. Grande parte deles é de moradores do Nordeste, que estão desempregados ou não tem renda fixa.

Triste, grave e impactante, essa informação mostra que além da tragédia sanitária que estamos vivendo – com quase 4 mil mortos por dia – há um outro flagelo em curso, que é o aumento da pobreza no país. Situação agravada pela inflação no preço dos alimentos, aluguel e gás de cozinha.

É muito sofrimento para a população, que convive com o medo de uma doença que já matou mais de 300 mil brasileiros e superlota os hospitais e ainda é obrigada a enfrentar o empobrecimento, sem a perspectiva de um plano que ofereça saída imediata.

O auxílio emergencial de R$ 250,00, que começará a ser pago agora em abril. é insuficiente para atender as necessidades mais básicas das pessoas. Apresentei emenda à Medida Provisória 1039/2021, que recria o auxílio, para aumentar o valor para R$ 600, como era em 2020. Além disso proponho também que as mulheres, que são chefes de famílias, recebam R$ 1.200,00, e que não seja cobrada conta de água e luz para quem recebe o auxílio.

E de onde viriam os recursos para custear esses valores? A resposta é simples: neste momento a prioridade é salvar vidas e manter a população bem, não é pagar dívida pública. Países mais ricos que o nosso, como os Estados Unidos, França e Reino Unido, estão com a dívida pública mais alta que a nossa, porque optaram por investir em pacotes de salvamento de empresas e pessoas, saíram em socorro da sua população. É o que o Brasil precisa fazer.

O auxílio emergencial de R$ 600,00, que já é pouco, garantiu a subsistência das pessoas e manteve a economia ativa. O valor proposto agora não resolve o problema.

Para nossa tristeza, até o momento, 2021 está se mostrando um ano pior que 2020. Se nada for feito, no próximo ano estaremos vivendo a dor das muitas perdas deste ano e mergulhados em uma crise econômica sem precedentes. O Ministério da Economia precisa parar de pensar apenas em agradar o setor financeiro e começar a propor soluções para os brasileiros mais pobres.

Os preços estão subindo, a renda está caindo e a conta da crise, mais uma vez, está ficando mais cara para os mais pobres. É preciso reverter essa realidade e pensar em todos.

Senador Weverton