O Brasil está de luto por 100 mil brasileiros que perderam a guerra contra a Covid-19. Uma perda elevadíssima, que poderia ter sido evitada caso o governo federal tivesse cumprido seu papel e conduzido o país com uma política nacional de combate à doença, baseada na ciência e na medicina. Uma tragédia que poderia ser menor também se nosso país não fosse marcado por uma enorme desigualdade social, que se torna ainda mais explícita em momentos de crise, como o que estamos vivendo.

As mortes aumentam a nossa tristeza. Mas todos os números da pandemia são indicativos do fracasso do Estado como gestor dessa crise. Já são cinco meses desde a chegada do novo coronavírus ao Brasil. Nesse período quase 3 milhões de pessoas foram infectadas, 7,8 milhões de postos de trabalho foram fechados – entre formais e informais – e 716 mil empresas foram encerradas. Tudo isso, resultado de uma conjuntura desnecessariamente prolongada.

Grande parte desse problema tem a ver com a postura negacionista e omissa do governo federal, que só não gerou consequências mais graves, porque, graças a uma ação do PDT, o Supremo Tribunal Federal decidiu que estados e municípios poderiam definir medidas sanitárias, inclusive suspensão da circulação de pessoas. Com esse poder garantido, muitos gestores conseguiram atuar, como aconteceu no Maranhão, que agora apresenta queda no número de novos contaminados e de mortes.

Ainda assim, as muitas mensagens do presidente Jair Bolsonaro, minimizando a gravidade da doença e exortando as pessoas a saírem às ruas, dificultaram o trabalho de prefeitos e governadores. Fato que colocou o Brasil na contramão das experiências mais bem sucedidas, onde a opção foi pelo fechamento efetivo das atividades por um curto período, implicando a queda no número de casos e a rápida retomada econômica.

O meu partido, o PDT, tem atuado como pode para tentar minimizar os erros da política federal. Como líder do PDT no Senado e membro da Executiva nacional do partido, assinei algumas ações vitoriosas no STF, como o reconhecimento do direito de agir de prefeitos e governadores, a obrigatoriedade do uso de máscaras em instituições penais e medidas de proteção aos povos indígenas.

Mas tudo o que fizemos não será suficiente sem que o governo federal reconheça os erros cometidos e assuma o seu papel de cuidar do bem estar do nosso povo. Por isso, vou continuar cobrando, vou continuar lembrando que não é normal termos tantos mortos por uma doença. Vou continuar clamando por um país em que as pessoas tenham condições mais iguais de enfrentar um problema e por um governo que trate seu povo com mais respeito e cuidado.

Vamos chorar os nossos 100 mil mortos. Mas em honra a eles, vamos lutar para que a pandemia fique sob controle e o nosso povo possa voltar a sorrir e abraçar sem medo.

Weverton, senador e líder do PDT no Senado