Foto: Magno Romero

Últimas 500 indicações para embaixadas foram de diplomatas, aponta líder do PDT, Weverton. Um levantamento feito pela liderança do PDT no Senado revelou que as últimas 500 indicações feitas pela Presidência da República para chefiar as embaixadas brasileiras no exterior foram de diplomatas de carreira.

O estudo feito a pedido do líder da bancada, Weverton (MA,) analisou os nomes sabatinados pela Comissão de Relações Exteriores e aprovados pelo Senado Federal desde maio de 2006, nos governos Bolsonaro, Temer e Dilma, Lula. Para Weverton, os números revelam que a decisão do presidente Jair Bolsonaro de indicar o filho, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para embaixador em Washington, considerado o posto mais importante da diplomacia nacional, quebra uma tradição na política externa brasileira.

“Os indicados são tradicionalmente escolhidos entre os diplomatas de carreira, com formação sólida e ampla experiência internacional, entre ministros e conselheiros do Itamaraty. Este caso, no mínimo, representa um desprestígio à carreira”, disse Weverton. Os Estados Unidos já deram sinal verde para o nome de Eduardo Bolsonaro. Mas o líder do PDT lembrou que o último embaixador brasileiro de fora do Itamaraty na capital americana foi nomeado há mais de meio século.

O ex-governador baiano Juracy Magalhães assumiu o posto em 1964, após apoiar o golpe militar, e ficou famoso pela célebre frase “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. O levantamento levou em conta os nomes aprovados pelo Senado Federal para a chefia de embaixadas brasileiras nos cinco continentes e como representantes em organizações internacionais, como a OMC e a ONU. A lista não inclui o nome de Guilherme Patriota, primeiro e único diplomata de carreira rejeitado pelo Senado, em maio de 2015, no conturbado cenário político que terminou com o impeachment da presidente Dilma, em 2016.

Guilherme Patriota é irmão do ex-chanceler do governo Dilma Antônio Patriota, indicado neste ano pelo presidente Bolsonaro para a embaixada do Brasil no Egito e na Eritréia. A legislação não impede que o presidente da República indique profissionais de outras áreas para chefiar uma embaixada do Brasil no exterior e, ao longo da história, há casos de indicação fora do Itamaraty, como o do banqueiro Walther Moreira Salles, embaixador nos Estados Unidos durante o Governo Vargas, nos anos 50, e o economista Delfim Neto, embaixador na França no Governo Geisel, nos anos 70. A lista inclui alguns políticos que assumiram representações no exterior, como o ex-presidente Itamar Franco.

No entanto, nenhum presidente da República indicou o próprio filho para o cargo diplomático. Depois de ter o nome publicado no Diário Oficial da União, o indicado deve ser sabatinado pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. O relatório feito por um senador deve ser analisado em votação secreta pela Comissão e pelo Plenário do Senado.