Violência contra jovens negros

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A violência contra a juventude negra foi o tema do discurso do deputado Weverton Rocha (PDT), nesta quinta-feira, 21, no Plenário da Câmara Federal. O parlamentar destacou na tribuna, um estudo que demonstra que os jovens negros são as principais vítimas da violência urbana brasileira.

Segundo o levantamento, encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Ministério da Justiça e Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), os negros, que incluem pretos e pardos, com idade de 12 a 29 anos, correm mais risco de exposição à violência; ou seja, estão mais vulneráveis que os brancos (que incluem brancos e amarelos) na mesma faixa etária, dados esses já comprovados pelo Conselho Nacional da Juventude, em 2015.

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Para Weverton Rocha, os números assombrosos apresentam a dura realidade que jovens maranhenses mais humildes têm enfrentado. “Em relação ao Maranhão, o fator situação de pobreza é o que mais contribuiu para o elevado índice de risco de homicídio entre a juventude negra do estado. De acordo com os dados do levantamento, o indicador de pobreza no Maranhão chega a 0,862, colocando o estado na segunda pior posição em relação a esse fator, ficando à frente apenas do estado de Alagoas, onde o indicador chega a 0,872”, pontuou. No quesito vulnerabilidade, o Maranhão apresenta o 13º maior índice (0,451).

Segundo o mapa da violência, em 2007, foram assassinados 33,2 negros para cada grupo de 100 mil jovens no Maranhão, contra 15,2 jovens brancos para cada 100 mil. Já em 2012, foram mortos 50,2 negros para cada grupo de 100 mil jovens no estado, contra 17,9 jovens brancos para cada 100 mil. “Quando se leva em conta apenas o critério de homicídios, o Maranhão tem o 13º maior risco relativo aos jovens negros. No estado, um jovem negro tem 2,80 vezes mais chance de ser assassinado do que um jovem branco”, lamentou o parlamentar.

O deputado observou, ainda, que nove municípios do Maranhão aparecem no ranking das cidades com mais de 100 mil habitantes em relação ao índice de vulnerabilidade juvenil. São elas: São José de Ribamar, que aparece na 15ª posição no ranking, com vulnerabilidade muito alta de 0,541; Caxias (19ª posição), Imperatriz (45ª), Timon (50ª), São Luís (73ª), Açailândia (86ª), Bacabal (104ª), Paço do Lumiar (123ª) e Codó (124ª).

No final do discurso, o pedetista maranhense sinalizou que o Governo do Estado do Maranhão tem ciência dos dados e que o governador Flávio Dino afirmou que estes serão utilizados para orientar e fortalecer as políticas públicas voltadas à redução da violência contra jovens maranhenses.

“Vale ressaltar que o Flávio Dino já deu um importante passo para a melhoria nesse quadro de vulnerabilidade dos nossos jovens à violência, ele anunciou durante o Fórum Estadual de Aprendizagem Profissional e Inclusão de Adolescentes e Jovens no Mercado de Trabalho do Maranhão a abertura de mil vagas para jovens aprendizes nas empresas e demais autarquias do Governo do Estado”, finalizou.