Pra nunca esquecer, “Feliz Aniversário”.

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Há exatos 34 anos, uma segunda-feira, neste mesmo dezessete de setembro, enquanto escrevo este texto, São Luis estava prestes a vivenciar o maior movimento de massas do século XX, ocorrido em nosso território. Em todos os bairros o sentimento de vigília e cumplicidade estava instalado. Nas escolas e universidades as lideranças estudantis discutiam os preparativos finais do ato pela meia-passagem. O governador da época, João Castelo e o prefeito biônico Mauro Fecury, insensíveis às tentativas de negociações propostas pelos lideres populares, acreditavam apenas na força das baionetas da polícia militar e no arcabouço jurídico repressor da ditadura militar.

Todos os possíveis e imagináveis métodos de intimidação estavam em curso para impedir o ato das 17 horas na Deodoro. Lideres do quilate de Juarez Medeiros, Agenor Gomes, Zé Maria, Renato Dionísio, Joãozinho, Jomar, Marcio, Mazé, Ivanhoé e tantos outros, inclua-se os anônimos, a tudo resistiam. O sentimento era o de levar até as ultimas consequências nossas ações e reivindicações. O coração de tão acelerado beirava parar, a esperança na força do povo e na justeza de nossas teses nos autorizava a continuar. E assim fizemos!

Hoje, decorridos 34 anos confesso, há muito não encontro os diletos e velhos companheiros, sei de conhecer e de ouvir dizer que alguns já não fazem mais da política o meio para seu contributo a construção de um mundo melhor, escolheram outros métodos, poucos, no entanto, a bem da verdade, recolheram as armas do bom combate. De nossa parte, apesar de tudo, continuamos, e de forma mais firme, acreditando que o povo é o senhor da história, que a luta pode até matar o homem mais não morre com ele, que a força das ideias  transformadoras são as molas propulsoras das mudanças e que o papel dos agentes da revolução é trabalhar diuturnamente para que a esperança vença o medo. Viva a meia-passagem. Vivam os sonhos, até os impossíveis.

Por Renato Dionísio