Diálogo é a solução para a crise

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O tempo parece passar cada vez mais rápido. Mal começou o ano e já estamos às portas do segundo semestre. Isso talvez se explique pela enorme quantidade de acontecimentos e a velocidade com que eles se sucedem. Em um único semestre enfrentamos muitas batalhas simultâneas. Sem ter tempo de vencer a primeira, a outra já se apresentava. Mais que nunca, ter coerência e procurar se conectar aos interesses reais da população é a única saída para que um parlamentar possa se considerar representante da sociedade.

Na Câmara, iniciamos 2017 analisando uma reforma trabalhista que retira direitos históricos dos trabalhadores. Em pleno debate sobre ela, fomos surpreendidos por um projeto de terceirização antigo e ainda mais danoso que o rejeitado em 2016 e por uma proposta de reforma da Previdência que ameaça o sonho de aposentadoria de todos os brasileiros. Em meio a tudo isso, o País foi sacudido por graves denúncias envolvendo o Presidente da República.

Infelizmente, a lei da terceirização foi aprovada, a reforma trabalhista segue a passos largos no Senado, a reforma da Previdência é um fantasma que ainda não foi afastado e, apesar de 14 pedidos de impeachment já apresentados, as denúncias contra o presidente seguem no limbo. Não é de causar espanto que, diante desse quadro, as pessoas se mostrem céticas quanto à solução dos problemas, desesperançadas e até descrentes dos políticos.

Mas a solução é política. É no campo dela, com o exercício democrático do diálogo e da superação das divergências em nome do bem comum, que vamos encontrar a saída para a crise.

Há bons e maus políticos, como há bons e maus em qualquer campo de atuação. Na política, mais que em qualquer área, o julgamento desses valores cabe ao povo. É com o voto que o eleitor decide quem o representa, quem defende os seus direitos, quem executará políticas públicas, no caso do Executivo, ou votará do modo como ele mesmo votaria, no caso do Legislativo.

Diante das denúncias contra o presidente Michel Temer, o correto é a realização de eleições diretas para que o povo diga qual rumo quer para o Brasil. De qualquer modo, isso ocorrerá em 2018. Até lá, precisamos nos guiar pelo que foi dito nas urnas em 2014 e fazer valer a vontade popular de ter um estado democrático de direito, em que as leis sejam cumpridas, para todos indiscriminadamente, em que o Congresso atue dando respostas efetivas, cumprindo a Constituição, votando leis que sejam boas para os cidadãos e cortando na própria carne, se for necessário.

Como deputado federal eleito pelo Maranhão, líder da Bancada do PDT, tenho um lado, que é definido pelas minhas crenças, que sempre foram claras para meus eleitores. Mas acredito no diálogo. E sei que por meio do diálogo que coloca o interesse do Brasil em primeiro lugar, todos os lados vão encontrar um caminho para que o País volte a crescer de forma inclusiva, correta e justa.

Weverton Rocha, deputado federal e líder do PDT na Câmara