Diretor da Petrobras reafirma, em audiência pública, que o cancelamento das refinarias foi motivado por questões econômicas

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A Comissão Externa que analisa o cancelamento da construção das refinarias Premium I e II, realizou, nesta quarta-feira, 8, a segunda audiência pública para discutir sobre o impacto gerado com a decisão da Petrobras.

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Além dos parlamentares que integram a comissão, participaram do evento o diretor de Abastecimento da estatal, Jorge Celestino Ramos, o gerente-geral da Refinaria Lubrificantes e Derivados do Nordeste- LUBNOR, Fábio Lopes de Azevedo, e o presidente do Sindipetro CE/PI, Francisco Carlos Oriá Fernandes.

Durante a audição, Celestino Ramos foi categórico ao reafirmar a decisão da Petrobras quanto ao encerramento das atividades das Refinarias e falou sobre o processo de devolução de terrenos e comodatos. Ramos falou, ainda, que o encerramento das atividades nas duas unidades do Nordeste, foi motivado, principalmente, pela crise internacional, variação negativa das “margens de refino” e a necessidade da empresa de preservar seu caixa. “Admitimos que o fim do empreendimento não foi comunicado da melhor forma”, ressaltou o diretor.

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A coordenadora da Comissão Externa, a deputada Eliziane Gama (PSB/MA), mostrou descontentamento com as explicações dadas pelo diretor e questionou que em nenhum momento os projetos foram apresentados como de risco. “Foram investidos 2 bilhões de reais. Um mega investimento como esse não pode ser um tiro no escuro”, pontuou a pessebista.

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O deputado Pedro Fernandes (PTB/MA), coordenador da bancada federal maranhense, também criticou a postura da estatal e questionou a qualidade do projeto. “Isso é conversa pra boi dormir, me sinto desrespeitado”, disse Pedro Fernandes. Em protesto, o parlamentar retirou-se da reunião.

Em seu discurso, o deputado Weverton Rocha (PDT/MA), autor da proposta para realização da audiência, lamentou pelos investimentos perdidos e pela frustação de centenas de jovens de Bacabeira, que dedicaram seu tempo nos cursos profissionalizantes na área de Petróleo e Gás, em busca do tão esperado emprego no empreendimento. “Saímos hoje decepcionados com a postura da Petrobras de abrir mão do investimento no Nordeste. Mais que isso, por conta de nuances de mercado, abrir mão dos sonhos de toda uma geração”, declarou.

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Na oportunidade, Weverton anunciou que formulou indicações à Procuradoria e à Defensoria Pública, sugerindo que os dois órgãos criem mecanismos de proteção a quem tomou empréstimos e contraiu dívidas, na expectativa da instalação das Refinarias, e propôs a revisão da Lei do Petróleo, como garantia de que uma quantidade mínima do petróleo seja refinada no Brasil.

O deputado cearense Chico Lopes (PCdoB), também usou o espaço para destacar o impacto irreversível em seu estado, com a retirada e realocação de comunidades indígenas para a instalação da Refinaria, mas mostrou-se otimista. “Com o pré-sal teremos a necessidade de refinarias”, ressaltou Chico Lopes, na esperança de que os projetos possam ser rediscutidos.