Artigo John Cutrim

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O dia 31 de março de 1964 nasceu diferente de todos os outros, pois foi o dia em que a liberdade e democracia de milhões de brasileiros foram cerceadas por um golpe político, organizado por militares contra o governo da época, trazendo consigo violentas repressões nos mais diversos setores da sociedade civil.

Durante 21 anos nossa pátria viu seus filhos serem torturados, cassados, exilados e até mesmo proibidos de expressarem-se livremente. Inúmeros cidadãos que lutavam por ideais democráticos foram perseguidos por defenderem uma sociedade livre. Foram mais de duas décadas de terror que nossa sociedade viveu, com os desmandos de um regime ditatorial instaurado no Brasil.

Sabemos que se hoje não somos mais reféns deste período negro, marcado por atos de extremo autoritarismo, é porque tivemos grandes homens e mulheres que não renegaram o seu caráter e lutaram por uma sociedade livre e democrática, mesmo sofrendo com o combate impiedoso travado pelos militares contra qualquer pessoa que se levantasse contra o modelo de governo da época.

Em nosso querido estado, tivemos guerreiros importantes nesta batalha. Como exemplo, uma importante mulher tornou-se ícone da luta pela democracia: foi ela, a médica e ativista Maria Aragão, que dedicou sua vida para lutar em prol dos direitos dos trabalhadores. Como diretora do jornal Tribuna do Povo, denunciou a exploração que degradava a condição humana e as diversas reivindicações dos trabalhadores massacrados pelo período. Por causa de sua conduta e defesa de seus ideais, foi perseguida, presa por cinco vezes e barbaramente torturada durante a ditadura.

Outro importante e forte nome maranhense, que lutou bravamente contra os ideais da ditadura militar instalada no Brasil por duas longas décadas, foi o de um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT), o ex-deputado federal e jornalista José Guimarães Neiva Moreira. Nosso querido Neiva Moreira resistiu fortemente, em defesa de suas convicções democráticas. Mesmo com o seu mandato na Câmara Federal cassado pelo golpe de 64 – ao lado de outros importantes nomes da História Brasileira, como João Goulart, Leonel Brizola, Miguel Arraes, Luiz Carlos Prestes e tantos outros nomes de dirigentes progressistas – ele não se rendeu às inúmeras perseguições e passou meses preso em quartéis e fortalezas do Rio e de Brasília, até se exilar na Bolívia, seguindo de lá para o Uruguai.

Mesmo com toda perseguição sofrida pelo modelo ditatorial instaurado, que combatia impiedosamente qualquer opinião ou manifestação contrária ao governo vigente, tivemos maranhenses guerreiros que lutaram bravamente e são atores responsáveis pelo retorno de nossa liberdade. Neste momento em que o país relembra os 50 anos da instauração do regime militar, não temos o que comemorar, pois não podemos comemorar um momento que significou a tortura, a falta de liberdade e até morte de muitas pessoas. Devemos sim refletir e reforçar em nós o desejo de nunca mais vivermos uma ditadura.

Juntos somos fortes!

*Weverton Rocha é deputado federal pelo PDT/MA

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